Nas últimas décadas, as mulheres realizaram muitas conquistas mas no assunto masturbação, os mitos e tabus permanecem.
Quanto menos falamos, menos esclarecemos, e assim alimentamos um tabu que anda engavetado em muitos lares.
Por isso resolvi falar sobre este tema tão importante para a sexualidade da mulher adulta.
Masturbação Feminina
Uma pesquisa realizada pelo Programa de Estudos em Sexualidade da USP mostra que cerca de 40% das mulheres brasileiras nunca se masturbaram. Como assim? Estamos falando de quase a metade das brasileiras. É claro que entram questões relacionadas a idade, tipo de pesquisa, como forma de amostragem, mas são 40%.
É um número gigante. Ainda mais se compararmos (impossível não haver esta comparação) com o sexo masculino.
Entre os homens, o percentual é, dez vezes menor.

“A explicação desta diferença entre homens e mulheres está em dois fatores fundamentais: o anatômico e o cultural. Por ter seu órgão exposto, o homem está em contato frequente com o próprio pênis, o que não acontece com as mulheres. Homens também são incentivados durante a infância e adolescência a se tocarem, enquanto as mulheres são ensinadas a não manifestar desejos sexuais” – explica a autora da pesquisa.
Masturbar-se é realizar atividade sexual individual. É o momento em que a pessoa que mais te conhece irá te dar prazer!
Atividade saudável e que contribui para a qualidade da saúde sexual feminina.
Orgasmo Feminino
O orgasmo vem através do estímulo, principalmente, do clitóris, mas isso pode variar de acordo com as preferências da mulher.
Conhecer o próprio corpo é imprescindível, até mesmo para conseguir transmitir à parceria, sua preferência durante o momento de prazer.
Durante a atividade sexual, seja ela individual ou acompanhada, uma diferença de milímetros ou uma variação no ângulo, pressão ou ritmo é uma linha tênue entre o desconforto e o prazer.
E o que é mais prazeroso muda muito com o tempo durante a excitação. Das preliminares à aproximação do orgasmo, no dia a dia e entre as diferentes faixas etárias.
Concentrar os toques na área genital sem censura é a porta para a descoberta de diferentes sensações prazerosas.
Um universo a ser explorado, sentido e curtido em intensidade.
Estar bem consigo mesma é uma condição importante para o orgasmo, já que preocupações com filhos, casa, cônjuge ou trabalho, podem impedir que a mulher se entregue às fantasias e sensações eróticas.
Abordaremos todas estas questões em outro momento, já que a vida social tem impacto direto na sexualidade e nos estenderíamos demais por hoje.
Para as mulheres o momento do orgasmo tem duração de aproximadamente 15 segundos, com contração de todos os órgãos pélvicos (ânus, vagina e até o útero) além de uma pulsação na “entrada” da vagina, que passa rapidamente. Na hora H, o clitóris também se retrai um pouco e o ponto G, localizado no interior da vagina, fica mais vascularizado, aumentando a sensação de excitação.
As mulheres se “aperfeiçoam” nessa contração e, por isso, o próximo orgasmo tende a ser melhor do que o anterior.
Lembre-se: não existe um manual do orgasmo. Cada mulher pode descobrir a sua forma de chegar lá. Ele também não é um dever, mas pode ser um intenso prazer.
Se você possui alguma dificuldade em atingir o orgasmo, seja por interferência da parceria ou por qualquer outro motivo, busque ajuda.
Um sexólogo trabalha diversas questões, que contribuem para uma vida sexualmente ativa e saudável, lembrando sempre que sexo é apenas um aspecto da nossa sexualidade.
Até o próximo conteúdo!
Psicóloga clínica e hipnoterapeuta especialista em terapia cognitivo comportamental e psicoterapia sexual. Especializada em medicina comportamental, orientadora sexual, psicoterapeuta de casais, professora convidada em cursos de especialização, presidente do CEPCoS, membro associado da SBRASH, membro associado da ABPMC, sexóloga do Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Palestrante em cursos de aperfeiçoamento e especialização, workshops, congressos e jornadas. Acompanhamento de profissionais em início de carreira. CONTATO: vmbressani@gmail.com